Publicado por: jSaggiomo | 24/09/2010

Repórter Diário – SP cogita Cohab com elevador contra déficit habitacional

Nos próximos 14 anos, pelo menos uma família por hora passará a morar em lugar precário ou irregular na capital paulista, incluindo áreas de risco – e o déficit habitacional de 130 mil unidades pode quadruplicar. São Paulo precisará de 740 mil novas moradias até 2024, conforme o Plano Municipal de Habitação (PMH). Para evitar isso, a proposta é criar pela primeira vez prédios populares com elevadores e passar a maior parte da conta para Estado e União.
A prefeitura não conta nem com a metade dos terrenos necessários. E o grande vilão dos prédios com mais andares é o elevador – que encarece a obra e tem um gasto considerável de manutenção para os moradores, muitos incapazes de arcar com custos básicos como água. Hoje, a capital só tem projeto para um prédio popular com o equipamento – no Jardim Edith, zona sul, com nove andares, mas sem que o modelo esteja totalmente definido. Todos os edifícios do gênero com mais de cinco patamares, a exemplo dos Cingapuras, têm entrada pelo 2.º andar. "Precisamos trabalhar em um elevador sem custo de manutenção", observa o secretário de Habitação, Ricardo Pereira Leite.

Investimentos
Para pôr o PMH em prática, ainda seria necessário gastar R$ 58 bilhões. "Pelo que hoje temos de orçamento, é um programa perfeitamente executável nesse espaço de tempo desde que se tenha uma política continuada", diz a superintendente de Habitação Popular, Elisabete França. Mas o ritmo atual de investimento (de R$ 1,5 bilhão para 2011) só permitiria chegar ao objetivo em 2048. Por isso, até a secretaria admite que a viabilidade do Plano Municipal de Habitação só será possível com o aprofundamento da parceria entre Município, Estado e União. A Prefeitura quer reverter a lógica de orçamento e passar ao governo federal a maior parte da responsabilidade pelos programas.
Se hoje o Município responde por 71% dos recursos empregados, a proposta apresentada é de que a União assuma 62% e o município passe a ter 26%. O Estado, que hoje é responsável por 10%, passaria a 12%. "Sem a participação da União e do Estado não será possível zerar o déficit", admite Elisabete.
Atualmente, há 800 mil famílias vivendo em assentamentos precários – uma em cada quatro na zona leste. Dessas, cerca de 130 mil necessitam ser retiradas imediatamente, por se encontrarem em áreas de risco. (AE)

Fonte: Repórter Diário


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