Publicado por: jSaggiomo | 26/09/2010

Cai número de multas contra elevadores irregulares em MG

Redução foi de 70,5% no Centro de Belo Horizonte; vistorias aumentaram 8%.

elevador
Frederico Haikal

O ascensorista do Automóvel Clube Antônio Carlos Nunes

O número de multas cobradas por irregularidades em elevadores reduziu 70,5% no Centro de Belo Horizonte neste ano. Foram 128 cobranças realizadas pela Regional Centro-Sul neste ano (de janeiro a agosto), ante 434 no mesmo período do ano passado. Para a prefeitura, o menor número de penalizações resulta do aumento da fiscalização, o que teria estimulado os condomínios a manter a manutenção dos equipamentos em dia.

Em 2010, as vistorias aumentaram 8% em relação ao ano passado. Segundo a Regional Centro-Sul, de janeiro a agosto último, 1.730 vistorias foram realizadas, ante 1.602 no período anterior.

Em 2010, houve apenas uma interdição de elevador, ocorrida na última terça-feira, no Hotel Gontijo, na Rua Tupinambás. A fiscalização teria tomado a medida devido ao risco de acidentes que a porta, do tipo pantográfica (tipo sanfona), representava
O advogado do hotel, José Carlos dos Santos, discorda da alegação. De acordo com ele, desde que o prédio foi inaugurado, na década de 1930, não foi registrado nenhum incidente do tipo. “Foi uma interdição cautelosa ao extremo. Você só pode interditar um elevador se levar um engenheiro junto, o que não aconteceu”, disse o advogado, lembrando que o hotel está em dia com todas as exigências feitas pela prefeitura.

O Automóvel Clube, na Avenida Afonso Pena, também possui porta pantográfica, mas o equipamento opera normalmente. Segundo a administração do local, a manutenção é mensal. O ascensorista Antônio Carlos Nunes, 51 anos, trabalha há 31 anos no Automóvel Clube. “Há pessoas que têm medo de andar nesse tipo de elevador, mas nunca tivemos acidentes”.
A Regional Centro-Sul informou que, independente da tecnologia do equipamento, o que é levado em consideração é o estado de conservação e manutenção. Segundo a assessoria do órgão, a porta pantográfica não é proibida. No caso do Hotel Gontijo, informa, o elevador demonstrava risco e foi constatado que a porta poderia ser aberta com o equipamento em movimento. O advogado José Carlos dos Santos afirmou que entrará com recurso contra a interdição.

Apesar de o advogado ter dito que o hotel não foi notificado antes de ter o equipamento interditado, William Nogueira afirmou que todas as interdições e multas são aplicadas depois que o proprietário ou administrador é notificado. Segundo ele, as notificações são dadas com antecedência para que as mudanças sejam realizadas. Se isso não acontecer, o proprietário é multado.

“Quando um fiscal faz a vistoria e desconfia da manutenção do elevador, aciona um engenheiro de segurança da prefeitura, que pode interditar o equipamento em caso de risco iminente”, esclareceu William.

Os bombeiros atendem, em média, 12 ocorrências com problemas em elevadores por mês na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mas de acordo com o tenente do 1° Batalhão Júlio César Teixeira de Oliveira, 70% dos chamados são atendidos no perímetro da Avenida do Contorno, nos bairros Centro, Funcionários e Savassi, devido a quantidade de edifícios e de equipamentos antigos.

“Muitas ocorrências são de pessoas que ficam presas, seja por falta de manutenção, pane em algum componente ou mesmo excesso de peso”, afirma Oliveira. Segundo ele, dispositivos de segurança fazem o elevador parar quando há algum problema, como queda de energia.
Quem estiver no elevador deve manter a calma e aguardar a empresa responsável pela manutenção.

Fiscalização aumenta após acidentes

No ano passado, duas tragédias seguidas levaram a Prefeitura de Belo Horizonte a intensificar a fiscalização nos elevadores da Região Centro-Sul da cidade. No dia 17 de fevereiro de 2009, o garçom Wellington Marinho de Souza, 26 anos, morreu ao cair no fosso do elevador do Othon Palace Hotel, na Avenida Afonso Pena, onde trabalhava.

Ele e o amigo Cláudio Damião Rodrigues, então com 22 anos, estavam no 25° andar do prédio quando, em uma brincadeira, escoraram na porta do elevador, que se abriu na hora. Os dois caíram pelo fosso, mas Cláudio ainda conseguiu se segurar no cabo de aço. O amigo, no entanto, teve a cabeça decepada ao chegar ao chão. A porta do elevador teria cedido e saído dos trilhos. O sobrevivente deixou de trabalhar no hotel há cerca de seis meses.

Em março do ano passado, o elevador do edifício Joaquim de Paula, na Rua Carijós, no Centro, foi interditado após cair no fosso. Onze pessoas ficaram feridas. O acidente teria sido causado por falhas no freio do equipamento e no sistema hidráulico.

Em 2008, um mensageiro caiu no fosso do elevador de serviço do Hotel Ambassy, no Centro. Ele passou três horas no escuro e foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros em estado grave. Na queda, sofreu traumatismo craniano e torácico.

Fonte: Hoje em Dia
Flórence Couto – Repórter


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