Publicado por: jSaggiomo | 31/01/2011

Com 4 milhões de passageiros diários, os 55 mil elevadores existem em São Paulo

Com 4 milhões de passageiros diários, os 55 mil elevadores que existem em São Paulo fazem, a cada 24 horas, 26 milhões de viagens. E tudo isto com apenas quatro acidentes, sem gravidade, no ano passado.

Invisivelmente a quem anda pelas ruas em São Paulo há um meio de transporte essencial para o funcionamento de uma cidade destas proporções. É o elevador. Subindo e descendo, os 55 mil  elevadores espalhados por 23 mil prédios fazem carregam 4 milhões de paulistanos por dia – mesmo número de um dia de pico em toda a rede do metrô. São, no total, 26 milhões de viagens, contando, claro, que uma pessoa entra num elevador mais de uma vez por dia. Cabines que ultimamente, em muitos casos, ganharam ares quase de nave de ficção científica. Os mais modernos edifícios de São Paulo, como os plantados recentemente no trecho da Marginal Pinheiros que corre ao lado da Avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, região sul, têm alto poder de tecnologia embutido.
O percurso que esse "metrô dentro dos prédios" percorre diariamente também impressiona. A uma média de sete andares por viagem, cada um deles com 3 metros de altura, as 26 milhões de viagens representam uma estupenda avenida de 546 mil quilômetros, catorze vezes a circunferência da Terra. Fosse um foguete, daria para ir à Lua – e ainda sobrariam quase 160 mil quilômetros.

FISCALIZAÇÃO
Assim como a frota de quase 6 milhões de carros é inspecionada – no caso, pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo, o Detran – , os 55 mil elevadores têm entidade reguladora oficial. É o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). A rigor, o órgão fiscaliza as empresas que fazem a manutenção dos elevadores, que muitas vezes é a própria fabricante do sistema. A vistoria é feita eletronicamente: em conexão on-line, os responsáveis pelos edifícios são obrigados a informar ao Contru as condições de cada elevador. Eventuais fraudes nas informações podem virar casos criminais.
Ao que parece, a fiscalização vem dando resultado. No ano passado, o Contru só recebeu quatro notificações de vítima em elevador. E nenhuma em estado grave. São casos como o de pessoas que machucaram o braço na tentativa – que aliás não se deve fazer mesmo – de bloquear o fechamento da porta. A se considerar esses dados, os elevadores são, ainda, o transporte mais seguro do mundo.

foto: Fabiano Accorsi/Diário SP

O elevador que faz contas: os elevadores do Santander do Brasil, na Marginal Pinheiros, não têm botão nas cabines. Passageiros digitam o andar numa tela. Levando em conta o percurso e o peso médio de cada um, o sistema calcula, e indica, qual o melhor elevador a tomar.

Controle de peso depende do bom senso dos passageiros
Mas o dia a dia nos elevadores tem os seus mistérios. Talvez o maior deles seja o da placa que toda cabine traz avisando o total máximo de passageiros a cada viagem. Como em geral a placa diz que o elevador só deve levar oito pessoas, ou 560 quilos, a média, por passageiro, é de 70 quilos. O Contru não fiscaliza esse tipo de ação. Segundo a entidade,  deve valer é o bom senso dos usuários. De qualquer forma, os fabricantes explicam que há uma boa margem além do indicado para o peso total.
Hoje em dia um elevador dificilmente cai. O sistema de cabos está cada vez mais seguro. E sofisticado – com o uso até de projetos informatizados. Ainda assim, no fundo do corredor vertical por que o elevador corre há, em vários prédios da cidade, uma espécie de super-mola para aliviar qualquer queda abrupta. O setor está mesmo bem mais profissional do que uma década atrás. Tanto que os sindicatos patronais ressaltam o papel do preparo para aperfeiçoar os quadros das empresas e suprir a falta de profissionais qualificados no mercado brasileiro.
Com a previsão de mais procura por profissionais especializados – afinal, se o Brasil cresce o número de elevadores também aumenta – o Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo, que reúne 400 empresas, aumentará o número de cursos profissionalizantes este ano e ampliará as horas de ensino e treinamento. "Nosso compromisso é ser um centro de qualificação profissional", diz Jomar Cardoso, presidente do sindicato.

O elevador ecológico
Como todo equipamento, os elevadores estão cada vez mais hitecs.  No meio de tanta sofisticação há até sistemas ecológicos. A Otis, uma das maiores fabricantes de elevador do país, criou o primeiro elevador que usa sistema de cintas de aço revestidas com poliuretano para suspender a cabine. Assim, tanto as cintas quanto a máquina, sem engrenagem com rolamentos, não precisam de óleo para lubrificação. A máquina possui acionamento VVVF (velocidade e frequência variáveis), que reduz em até 40% o consumo de energia na comparação com as convencionais.

Invenção de Roma

O primeiro elevador do mundo   foi criado em Roma no século 1 a.C. por um engenheiro chamado Vitrúvio. Depois, em 64 d. C., Nero (acima) mandou construir uma versão primitiva dessas máquinas – era acionadas por escravos – no seu palácio. Quase vinte anos depois, o imperador Tito ordenou a instalação de doze elevadores no Coliseu. Eram usados para transportar os gladiadores do subsolo até a arena das batalhas.

No Tietê, só um andar

Com 70 mil pessoas por dia, o Terminal Rodoviário Tietê é o maior do país. São 65 empresas rodoviárias, 135 bilheterias e 300 linhas de ônibus. Como o Terminal fica ao lado da estação de metrô do mesmo nome, a maior parte dos usuários sai dos vagões já na mesma plataforma das bilheterias de ônibus. Assim, só quem chega de táxi, ou de carro, é que acaba pegando o único elevador existente ali. Ele vai do subsolo ao térreo, numa viagem de apenas um andar. Mesmo assim é um dos mais utilizados em São Paulo.
Os mais antigos:

foto: Diário SP

Da esquerda para a direita: Edifício do Vale, Edifício Itália, Edifício Sampaio Moreira e Martinelli

Quase roçando o céu
Com 51 andares e 170 metros de altura, o Edifício Mirante do Vale, mais conhecido como Zarzur, sobrenome de um dos autores do projeto, encravado no Vale do Anhangabaú, é o mais alto de São Paulo – e do Brasil. O Mirante tem doze elevadores, que correm a uma velocidade média de 320 metros por minuto. Assim, o passageiro demora cerca de meio minuto para ir do térreo ao 51º andarr.  Com 75 mil metros quadrados e capacidade para 35 mil pessoas por dia, o prédio é tão grande que tem três entradas. A da Rua Brigadeiro Tobias é que dá acesso aos pedestres.

Rumo à melhor vista

Com 165 metros de altura, o Edifício Itália é apenas 5 metros menor do que o Mirante do Vale – mas tem mais elevadores. São dezenove no total, que, num dia de intenso movimento, podem levar 25 mil pessoas durante o dia. Tem 52 mil metros de área construída. Seu último andar – que abriga o célebre restaurante Terraço Itália – ostenta o ponto mais alto entre os prédios de São Paulo, com uma vista privilegiada da metrópole. Por isso virou ponto turístico.

Os avôs dos elevadores…

A Rua Libero Badaró, no Centro, tem os dois complexos de elevadores mais antigos da cidade. O primeiro fica no Edifício Sampaio Moreira, que, com 12 andares e 50 metros de altura, ocupou o posto de prédio mais alto de São Paulo entre 1924, ano de sua inauguração, e 1929, quando foi superado nesse ranking pelo Martinelli – justamente onde fica o outro tradicional conjunto de elevadores em São Paulo. Ambos os prédios estão em funcionamento ainda hoje – e, portanto, seus elevadores também. O Sampaio Moreira virou um edifício de escritórios.

…sobem na Rua Líbero Badaró

O Martinelli tem 30 andares e 130 metros de altura, ornamentados pela fachada coberta de detalhes arquitetônicos.  Entre outras entidades, o Martinelli abriga as Secretarias Municipais de Habitação e Planejamento, a Emurb e a sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Seu terraço é um dos  cartões-postais paulistanos. Dali, dá para ver desde a Avenida Paulista até os arredores do Pico do Jaraguá.

Fonte: Diário de São Paulo
W.F. Padovani
Diário SP

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