Publicado por: jSaggiomo | 15/01/2014

Elevador é mais seguro do que avião

Número de acidentes no aparelho neste ano e em 2012 é inferior às ocorrências com aeronaves em SP.

Divulgação
Funcionário de empresa responsável por elevadores durante inspeção
Funcionário de empresa responsável por elevadores durante inspeção

O fosso aberto do elevador que motivou o acidente que matou a universitária Bruna Lino, 19 anos, na madrugada do último domingo, na USP, é um sinal de descuido grave que não é visto na manutenção e no controle de qualidade dos 70 mil elevadores que existem na capital.

O aparelho, um dos principais meios de transportes da cidade, que chegam a fazer mais viagens que os ônibus, registrou apenas um acidente neste ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Licenciamento. O número é menor do que o de acidentes de avião, tido como o meio de transporte mais seguro do mundo. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em 2013, foram registrados quatro acidentes de avião em São Paulo.

O trabalho para garantir esse nível de eficiência é amparado em um tripé:  rigor no seguimento das normas técnicas, regime de concessões para a entrada de empresas no setor e manutenção periódica.

“A experiência acumulada ao longo dos anos dos fabricantes, aliada à tecnologia de ponta, justificam essa performance. Hoje em dia há um grande número de dispositivos de segurança e a manutenção em São Paulo é realizada, no mínimo, uma vez por mês na capital”, disse o diretor da empresa Atlas Schindler, Osvaldo Gazola.

“Em construções, temos até algumas notícias de ocorrências, mas nos aparelhos não se vê falar em acidentes graves”, comenta o presidente do Seciesp (Sindicato das Empresas de Conservação, Manutenção e Instalação de Elevadores do Estado), Jomar Cardoso.

A Prefeitura fiscaliza o funcionamento dos elevadores por meio do RIA (Relatório de Inspeção Anual), denúncias, processos em andamento e operações  com outros órgãos.

ANÁLISE

Jomar Cardoso,

presidente do Seciesp (sindicato das empresas de elevadores do estado)

Importações vão afetar segurança

Corremos um sério risco de perdermos em performance na segurança do setor. Os fabricantes nacionais seguem normas brasileiras rígidas. Mas o país passa por uma desindustrialização e as importações só crescem. Como a Prefeitura não tem poder de homologação dos produtos, ou seja, não sabe que normas esses aparelhos de fora seguem, é possível que venham produtos de baixa qualidade para cá. Hoje, o país só fabrica 50% dos novos elevadores. Até 2016, tenho certeza, estaremos em 0%, assim como ocorreu com as escadas rolantes.

Especialistas dizem que caso da USP é um verdadeiro crime

Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO disseram que o acidente ocorrido na USP, no último domingo, foi “um verdadeiro crime”.

“Não existe esse negócio de colocar uma fita para isolar um fosso. Esse buraco, no mínimo, deveria estar tapado com tapumes”, disse um empresário do setor que preferiu não se identificar.

Para ele, mesmo com o prédio cercado com muros e cercas, normas específicas devem ser respeitadas em construções do tipo. “A Polícia Civil vai concluir que a situação se configura em um assassinato”, completa.

Antes do acidente, nada no prédio indicava que no local havia um fosso aberto que levava sério risco para quem frequentava o local, ainda mais à noite.

O DIÁRIO tentou contato na tarde de ontem, mas não conseguiu falar com o Sinduscon (Sindicato da Construção Civil de São Paulo).

ENTREVISTA
Osvaldo Gazola – diretor da Atlas Schindler

Zeladores não devem tentar resgatar usuários
Executivo de uma das maiores empresas de elevadores do país, Osvaldo Gazola destaca que a garantia do perfeito funcionamento também depende dos usuários, que não devem forçar as portas dos aparelhos.

DIÁRIO_ Por que o elevador é tão seguro?
OSVALDO GAZOLA – As empresas adquiriram ao longo do tempo um belo know-how na fabricação. Há muitos dispositivos de segurança garantindo essa perfomance. Além disso, a limpeza, hoje, é uma das prioridades de quem faz a manutenção.

Qual o principal defeito que os aparelhos apresentam?
As portas de eixo vertical, aquelas antigas, que se abrem com a mão, devem ter atenção especial. Mas mesmo nessas, se seguidas as normas à risca, a possibilidade de acidentes é quase nula.

E dos aparelhos novos?
Também a porta, por ser os dispositivo mais solicitado. Há casos em que os usuários forçam o fechamento ou a abertura. Isso é errado. Deixe ela cumprir o seu percurso e só utilize esse recurso em último caso.

Como devem ser feito resgates de usuários presos no elevador?
Somente empresas de conservação e os bombeiros. Isso porque são os únicos que têm treinamento adequado. Nunca um zelador deve tentar retirar os usuários de um elevador.

Como retirar alguém do elevador se ele parar de funcionar entre um andar e outro?
Há meios de nivelá-lo. Os profissionais e bombeiros sabem realizar essa operação.

Fonte: Diário de SP / ULISSES DE OLIVEIRA – ulisses.oliveira@diariosp.com.br


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